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Oficina em Pedro Cubas aproxima comunidades e Internet


Oficina sobre o site www.quilombosdoribeira.org.br, realizada na semana passada no quilombo de Pedro Cubas, no Vale do Ribeira, reúne representantes de sete comunidades e aproxima os jovens quilombolas do universo digital - para muitos, foi a primeira oportunidade para clicar em um "mouse" e navegar no espaço cibernético.

O site www.quilombosdoribeira.org.br foi objeto de uma oficina de capacitação na semana passada que reuniu jovens quilombolas do Vale do Ribeira na comunidade de Pedro Cubas, uma das únicas vilas quilombolas da região equipadas com telecentro. Doze moradores de diversas comunidades do Vale do Ribeira (Bombas, Pedro Cubas, Morro Seco, Cangume, Porto Velho, São Pedro e Poça) participaram da atividade, que teve como objetivo dar seqüência ao processo de inclusão digital dos quilombolas e de atualização do site www.quilombosdoribeira.org.br pelos membros das comunidades que compõe o conselho gestor da página na Internet.


Participantes da oficina no telecentro de Pedro Cubas
O Instituto Socioambiental (ISA) vem apoiando e executando projetos de inclusão digital nas comunidades quilombolas do Vale do Ribeira desde o ano passado, quando o telecentro de Ivaporunduva foi inaugurado. Saiba mais aqui. O ISA também ajudou na construção do site www.quilombosdoribeira.org.br, lançado em dezembro de 2006, leia mais aqui. E, neste ano, voltou a apoiar a instalação do telecentro em Pedro Cubas - mais informação aqui -, aberto em abril, onde foi realizada na semana passada a oficina sobre o site. A oficina foi ministrada pela equipe de Comunicação do ISA e se desenvolveu ao longo de dois dias.

A atividade começou com a memória do projeto, recuperando para os participantes o histórico do projeto do site e levantando junto aos jovens questões relacionadas aos possíveis usos do site pelas comunidades, como a divulgação e valorização de suas culturas, veiculação de denúncias de crimes ambientais e conflitos fundiários, venda de produtos, contato com turistas e pesquisadores interessados em colaborar com as comunidades. O trabalho teve seqüência com a visita dos quilombolas a cada uma das seções do site para que eles pudessem avaliar o conteúdo atual, sugerir atualizações e mudanças. Em seguida, os participantes realizaram um exercício de redação para responder mensagens enviadas pelos visitantes do site. O exercício teve como objetivo mostrar que tipo de demanda vem sendo gerada pela página, e como elas devem ser encaminhadas pelos jovens e suas comunidades. “Para nós ficou claro que, antes de responder as mensagens, precisamos conversar com as lideranças das comunidades envolvidas”, ponderou José Luiz de França Dias, da comunidade de São Pedro.

Os quilombolas terminaram o primeiro dia com a tarefa de redigir pequenas notas sobre assuntos atuais e relevantes para suas respectivas comunidades. Cada um deles elegeu uma pauta para abordar e começar a trabalhar o texto. No segundo dia de oficina os quilombolas foram apresentados à ferramenta de atualização de conteúdo do site, o editor de texto, e puderam eles próprios inserir as notas que haviam sido escritas na véspera. Os textos foram editados, revisados e publicados. “Gostei muito de ver o que escrevi publicado, é uma sensação bem legal”, disse Jaqueline Rosa, da comunidade de Poça.

Conversa sobre como responder mensagens do site
A última atividade da oficina consistiu na criação de contas de correio eletrônico (e-mail) para cada um dos participantes, para que eles pudessem enviar notícias e manter contato com a turma da oficina, e num passeio pela comunidade de Pedro Cubas, quando cada quilombola pôde tirar fotos com máquina digital para, depois, publicá-las no site. Para Juari Alves, da comunidade de Morro Seco, a oficina foi estimulante. “Eu sempre acho que conhecimento nunca é o bastante e que nós também temos que estar globalizados”, afirmou. “Agora vou levar essa experiência para nossa comunidade e trabalhar para que um dia tenhamos lá um telecentro”.

A oficina mostrou que a presença de telecentros nas comunidades possibilita que os moradores aprendam rapidamente a utilizar a tecnologia e se familiarizar com a linguagem da Internet. Enquanto os jovens de Pedro Cubas navegam e escrevem e-mails facilmente, alguns dos participantes vindos das outras comunidades nunca tinham visto de perto um computador ou sequer manuseado um “mouse”. É um indicador claro de que ainda há muito trabalho a ser feito para incluir as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira no mundo digital.




Essa notícia foi escrita por Bruno Weis, jornalista do ISA, e publicada originalmente em www.socioambiental.org

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