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Conheça a história de Dona Jovita, premiada em Brasília
Jovita Furquim de França, da Comunidade Galvão, em Eldorado – SP, recebeu no último dia 28 de novembro, no gabinete do ministro Guilherme Cassel, do Desenvolvimento Agrário, o certificado como primeira colocada na categoria Experiências e Memórias da segunda edição do Prêmio Territórios Quilombolas. Um prêmio em dinheiro será depositado em conta bancária.
Dona Jovita escreveu sua história durante anos em um caderno. Com o título de “Minha Missão”, seu trabalho foi compilado e inscrito por Gabriela Segarra Martins Paes, que trabalha no Instituto de Terras do Estado de São Paulo, junto às comunidades da região.
Demonstrando grande garra diante das dificuldades, sem nunca perder a esperança, escreve: “Continuei trabalhando fortemente, ganhava dinheiro e separava a metade para o sustento da família, e a outra metade para comprar material para estudo como caderno, lápis, borracha, lampião e querosene. Então, eu comecei a estudar. Estudava das 10 horas da noite até uma hora da manhã, e às quatro e meia da manhã eu já estava acordada. Seguia para casa rapidamente para não perder o horário de chegar na casa do patrão. Leia aqui a íntegra do texto premiado.
“Aprendi que o sofrimento faz parte da nossa vida quando a gente sofre por amor em Deus e pelos irmãos. Quando o casal se ama, não importa se é rico ou se é pobre. O que importa é ser unido e ter amor. A união, a paciência e a fé são o suficiente para lutar contra o mal, e para viver a vida a dois.”
Hoje com 64 anos, Da. Jovita tem uma longa história de dedicação à sua comunidade e de São Pedro: foi catequista, coordenadora da igreja católica de Galvão, tesoureira da Associação de Bairro, que antecedeu a Associação dos Remanescentes de Quilombo, vice tesoureira da associação de São Pedro, presidente da associação quilombola de Galvão e membro do conselho fiscal. Sobre a premiação, ela diz: “Para mim é uma grande homenagem. Tenho 30 anos de luta e nunca fui valorizada desse jeito. Eu dava minha história como perdida e agora foi reconhecida. Espero que todos procurem se valorizar. O que não conseguimos em 30, 40 ou 50 anos podemos conseguir agora.”
Com a certeza de que nunca se termina uma tarefa, Da. Jovita não quer parar na primeira conquista: “No próximo ano vou competir novamente com a continuação da minha história, porque história de pobre não tem fim.” Para aumentar a expectativa, dá uma dica: “Vou escrever sobre como os quilombolas se alimentavam, se vestiam, se calçavam, como por exemplo o sapato de palha de milho.” E justifica: “Deus me colocou nesse caminho, vou andar um pouco por ele.”

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