A luta pela terra



Quilombo é sinônimo de luta pela terra e liberdade, e desta luta que começou há mais de trezentos anos surgiram as comunidades quilombolas do Vale do Ribeira. Comunidades que sobreviveram até hoje na contracorrente da concentração fundiária e da devastação da Mata Atlântica.Os quilombos sobreviveram, mas muitos perderam partes importantes de suas terras para posseiros e grileiros, muitos tiveram seus  territórios ocupados pelas Unidades de Conservação ambiental, como os Parques de Jacupiranga, PETAR e Intervales.Esta situação limita as possibilidades de sobrevivência e de desenvolvimento destas comunidades.

A luta dos quilombolas pela terra avançou muito a partir da Constituição Federal de 1988 que, em seu artigo 68, garante a propriedade da terra ocupada pelas comunidades quilombolas. No entanto, de 1988 até hoje poucas comunidades no Brasil receberam o título de propriedade de suas terras.

Hoje os quilombolas são exemplos de convívio entre populações humanas e a Mata Atlântica e atores importantes em projetos de desenvolvimento sustentável, mas esta sustentabilidade depende da terra, o título em si é importante, mas o mais importante é o acesso e o usufruto do território que, na maior parte dos casos depende da retirada, mediante desapropriação, dos ocupantes não quilombolas, o que exige vontade política e dinheiro para as desapropriações.

Hoje se estima que existam cerca de 2.500 comunidades quilombolas no Brasil, das quais apenas 65 receberam título desde 1988. Se fizermos a conta, veremos que a média de titulação é de 4 comunidades por ano. Mantido este ritmo serão necessários 625 anos para titular todas as terras de quilombos do Brasil, ou seja, no ano de 2.631 a situação estaria resolvida. Dá para esperar tanto?

Este problema da terra afeta os quilombolas em todas as regiões do país e no Vale do Ribeira não é diferente, comunidades como Porto Velho, Cangume, Galvão, André Lopes, apenas para citar alguns exemplos, tiveram seus territórios reconhecidos como terra de quilombos mas grande parte das suas terras está ocupada por não-quilombolas, ficando inacessível à comunidade enquanto o governo estadual ou federal não remover estes ocupantes.

Veja abaixo a situação da regularização das terras dos quilombos no Estado de São Paulo, segundo o Instituto de Terras do Estado de São Paulo - Itesp.

Comunidade município Número de famílias situação data
1.Ivaporunduva Eldorado 70 Titulada apenas parte devoluta 2003
2.Maria Rosa Iporanga 20 titulada 2001
3.Pedro Cubas Eldorado 40 Titulada apenas parte devoluta 2001
4.Pilões Iporanga 51 Titulada apenas parte devoluta 2001
5.São Pedro Eldor./Ipor. 39 Titulada apenas parte devoluta 1998*
6.Cafundó Salto de Pira 18 Reconhecido como quilombo 1999
7.Caçandoca Ubatuba 19 Reconhecido como quilombo 2000
8.Jaó Itapeva 53 Reconhecido como quilombo 2000
9.André Lopes Eldorado 76 Reconhecido como quilombo 2001
10.Nhunguara Eldo/Ipora 91 Reconhecido como quilombo 2001
11.Sapatú Eldorado 82 Reconhecido como quilombo 2001
12.Galvão Eldo/Ipora 29 Reconhecido como quilombo 2001
13.Mandira Cananéia 16 Reconhecido como quilombo 2002
14.Praia Grande Iporanga 26 Reconhecido como quilombo 2002
15.Porto Velho Iporanga 09 Reconhecido como quilombo 2003
16. Pedro Cubas de Cima Eldorado 22 Reconhecido como quilombo 2003
17. Capivari Capivari 17 Reconhecido como quilombo 2004
18.  Brotas Itatiba 32 Reconhecido como quilombo 2004
19. Cangume
Itaóca 33 Reconhecido como quilombo 2004
20. Camburi Ubatuba 39 Reconhecido como quilombo 2005
21. Morro Seco           Iguape                 47
       Reconhecido como quilombo        2006